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Psiquê e Comportamento

Escolher sofrer

Nossa, miga. Tá louca?

Aposto que foi isso que você pensou né? Talvez esteja sim mas o causo é o seguinte: tempos atrás, passeando pela livraria, me deparei com um título no mínimo interessante: A sutil arte de ligar o foda-se.

Talvez você já tenha ouvido falar nesse livro pois teve um ótimo índice de vendas. Sim, é mais um livro de auto ajuda. Não sei qual o preconceito que as pessoas tem com livros de auto ajuda.

Comprei esse livro numa época em que eu estava num relacionamento que não era lá o que eu realmente queria pra minha vida. Aliás, nem posso dizer que foi bem um relacionamento.

Conheci o famosinho (vou chamá-lo assim por ele ser muito bem relacionado) através de amigos em comum. Eu nem tava muito a fim de ficar com alguém naquela época, mas já que rolou bora ver no que dá. Aviso: nunca façam nada na base do “bora ver no que vai dar isso aí” porque pode dar muita merda, taoquei?

Não demorou muito pra eu entender onde eu tinha amarrado me jegue. O cara era meio ogrão, do tipo que fala alto na mesa do bar mas tinha um coração imenso. Acho que foi isso que me atraiu nele. Eu tava num período de carência extrema e isso afeta muito nosso julgamento com relação às pessoas, principalmente parceiros em potencial.

Bom, voltando lá no livro. Eu o comprei e devorei em uns três dias. Sabe aquele livro que fala tudo o que você já sabia mas que você precisava ler? Às vezes a gente precisa de algumas validações na vida. A gente já sabe o que fazer mas precisa de alguém que valide o que sabemos e o que queremos. Qualquer semelhança com um coach é mera coincidência.

Eu li algo muito interessante sobre sofrimentos. O autor diz que na vida a gente vai sofrer mesmo. A gente sempre sofre, o sofrimento é inevitável e tentar evitá-lo só nos causa mais transtornos. Mas nós temos o poder de escolher pelo o que queremos sofrer. Quer um exemplo? Alguém que quer um corpo definido — quem não quer? Pra chegar num resultado você vai precisar gastar horas numa academia, suando, queimando calorias, malhando os músculos, fazendo dietas, evitando açúcares e lipídios. Há quem ache isso bom. Olha que sofrimento minha gente! Suor, dores, privações pra se chegar no resultado ideal. Deus me livre, mas quem dera!

É aí que tá o poder de escolha. Eu realmente quero um corpo definido? Isso vai me fazer bem? Se a resposta for sim terei de pagar o preço. Não há outra forma de se alcançar um objetivo sem que se tenha que passar por momentos de dor. Precisa de um diploma pra conseguir aquela promoção no seu trabalho? Pois terá que encarar anos de estudo, noites mal dormidas e um maldito TCC pra conseguir. Acredite, é mais sofrido do que live da Marília Mendonça em plena quarentena depois de levar um fora do crush. Mas no final você entende que o sofrimento é benéfico, em certa medida.

Quando eu li isso foi como se o céu se abrisse sobre a minha cabeça. Qual era o meu problema? Eu estava ligada a uma pessoa a qual eu não queria estar. Por que não terminar, então? Eu estava emocionalmente presa. Estava vulnerável, carente e ele, na medida do possível, sanava esse meu problema. Mas era um problema que acabou por gerar outro problema: o cara já tava gostando de mim e eu, inevitavelmente, iria magoá-lo dizendo que não queria mais ficar com ele. Tá vendo como evitar o sofrimento só caga toda a situação? Você vira especialista em gerar mais confusão na vida. Então, a única opção era dar um reset. Qual era o real problema? Ficar sozinha. A solidão, pra mim, era assustadora. Mas precisei encará-la. Precisei sofrer com a ideia e a realidade de não ter alguém comigo. Para pessoas carentes isso é bem difícil. Foi sofrido mas sempre que batia a solidão e o arrependimento queria aparecer eu pensava “você precisa sofrer”. E a gente precisa mesmo. Precisamos encarar esses medos de frente e sentir a dor porque isso nos torna mais fortes. É como fortalecer seu sistema imunológico. Você injeta o agente causador do estrago no organismo para que seu sistema crie defesas para ele. Basicamente é assim que as vacinas funcionam. Por vezes, na vida, a gente precisa dessas doses de dor. Mas que tapão na fuça, ein?

E isso eu aprendi lendo um livro de auto ajuda. Logo eu que era super crítica sobre essa categoria. Que grande aprendizado! Aquelas verdades que todo mundo sabe mas precisa ouvir, nesse caso, ler. No meu caso funcionou bem e recomendo.

Beijos da titia e não se esqueçam de lavar bem essas patinhas.

Por Sheila Chaves

Formada em Comunicação Social - rádio e televisão pela FMU/FIAM FAAM
Estudou Produção Executiva no Instituto de Cinema
Atualmente atua como editora de vídeo e áudio

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